Crise na indústria musical em 2013-2014

Crise na indústria músical em 2013-2014 refere-se ao número baixo de vendas de discos e lucro dentro da indústria musical que vem sendo registrado desde 2013, mas que começou a mostrar indícios nos Estados Unidos a partir de 2010.

Antecedentes

Primeiros indícios

Durante a semana de 30 de maio de 2010, a revista Billboard, que compila e analisa as vendas de música nos Estados Unidos, noticiou que apenas 4.984 milhões de discos haviam sido vendidos no decorrer da semana; a cifra mais baixa já reportada desde que a Nielsen SoundScan começou a analisar a indústria musical, em 1991.[nota 1] Sobre o fato, a publicação adicionou que os números de vendas de discos estavam decaindo mais a cada ano, estimando-se que a cifra poderia chegar a ser a mais baixa desde 1970. A semanal finalizou dizendo que, para evitar-se as infrações de copyright e decaídas maiores, seria necessária a intervenção do Congresso dos Estados Unidos. No seu documento anual sobre a situação da indústria musical, a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) revelou um aumento nas vendas digitais e no streaming, mas uma decaída nas vendas físicas. O single mais bem-sucedido daquele ano, "Tik Tok", da cantora de synthpop Kesha, foi comprado 12.8 milhões de vezes, convertendo-se na primeira faixa a ter mais de 10 milhões de unidades digitais compradas. Com a criação e globalização de lojas de música online, como o iTunes e a Amazon, diversos países da Europa, Oceania e América do Sul viram um grande aumento na popularidade desses serviços, tais como Argentina, Austrália e Suécia. Contudo, isso também facilitou a pirataria em outras regiões, como Brasil e Espanha, cujas porcentagens de downloads ilegais chegaram à pontuação máxima de 40%. Por outro lado, com a alta popularidade de vídeos musicais, como "Baby", do canadense Justin Bieber, que já havia registrado 430 milhões de visualizações em janeiro de 2011, plataformas como o YouTube e a Vevo tiveram um constante aumento na atividade.[1]

Somente em 2010, vendeu-se 1,507 bilhões * de conteúdo musical mundialmente, divididos em 326.2 milhões de álbuns digitais e 1,172 bilhões * de canções. De acordo com a IFPI, as cifras dos álbuns que estrearam no top 50 das paradas musicais caiu 77% de 2003 a 2010. Além disso, 95% dos downloads globais ocorreram ilegalmente, através de métodos como o peer-to-peer (P2P). A Federazione Industria Musicale Italiana (FIMI), órgão responsável pela música na Itália, anunciou que havia sido gerado no país 234 milhões de dólares digitalmente, uma queda de 4% em relação a 2009, quando foram contabilizados 242 milhões. Já as vendas físicas caíram 3%, indo de 170 milhões de dólares a 165 milhões. Ao mesmo tempo, a associação espanhola Productores de Música de España (PROMUSICAE) relatou um decrescimento de 60% na área entre 2005 e 2010, enquanto que as digitais cresceram 20% de 2009 a 2010 e o streaming subiu impressionantes 1712%. No primeiro semestre de 2011, a organização despachou 19% de mercadoria a menos que no ano anterior. Posteriormente, durante o decorrer de 2011, continuou o crescimento de empresas como iTunes, VEVO e Spotify. A fim de evitar perdas, na América e na Europa adotaram-se medidas legais para combater a pirataria, provocando uma pequena reação nos índices. A BBC News noticiou que os britânicos estavam adotando a música digital e estavam começando a descartar pouco a pouco a ideia de comprar compact discs (CD). Repórteres afirmaram ainda que os hábitos de compra tinham mudado, e que as pessoas passaram a preferir serviços de distribuição. Mundialmente, venderam-se 1,611 bilhões * de produtos musicais por todo o ano, numa crescida de 6.9% em relação a 2010.

Notas

  1. Antes disso, a medição era feita através de ligações e fax para um certo número de lojas espalhadas pelos estados do país, o que muitas vezes resultava em fraudes e resultados incorretos.

    Referências

    1. «IFPI Digital Music Report 2011» (PDF) (em inglês). IFPI. 2011. Consultado em 18 de outubro de 2016
    This article is issued from Wikipedia. The text is licensed under Creative Commons - Attribution - Sharealike. Additional terms may apply for the media files.