Maria Andrade (cientista)

Maria Isabel Andrade (nascida em 1958) é uma agrônoma cabo-verdiana, que realiza pesquisas científicas em prol do desenvolvimento e da segurança alimentar. Andrade trabalha em Moçambique como pesquisadora de batata-doce desde 1996 no Centro Internacional da Batata, os impactos de seu trabalho são reconhecidos e premiados em vários países e instituições. E suas pesquisas tem feito a diferença na vida de mais de 10 milhões de pessoas em todo o mundo.

Maria Andrade
Maria Andrade (cientista)
Nome completo Maria Isabel Andrade
Nascimento 1958 (66 anos)
São Filipe, Cabo Verde
Nacionalidade cabo-verdiana
Educação Universidade do Arizona
Universidade Estadual da Carolina do Norte

Juventude e educação

Em 1958, Andrade nasceu em São Filipe, Cabo Verde. Ela começou a sua educação em Cabo Verde em Fogo e Santiago.[1] Depois de completar o ensino médio, ela foi para a Universidade do Arizona e formou-se em 1984 com um Bacharel em agronomia e depois em 1958 com um mestrado em genética vegetal. Em 1994 ela se formou no doutorado em melhoramento e fisiologia vegetal pela North Carolina State University.[2] Maria Isabel também foi professora assistente em ambas as Universidades.

A pesquisadora trabalha com culturas de raízes desde 1985 com o intuito de realizar o melhoramento e seleção da batata doce para que fosse implementada na dieta da população que carecia dos benefícios de nutrientes essenciais.

Carreira

Andrade iniciou a sua carreira agrícola quando ingressou em um programa de plantação de legumes cabo-verdianos em 1984. Enquanto liderava o Instituto Nacional de Pesquisa em Cabo Verde, Andrade tornou-se membro da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação em 1994. De 1996 a 2001, ela trabalhou para o Instituto Internacional de Agricultura Tropical como agrónoma de batata-doce para um grupo de pesquisa na África Austral.[3]

Nestes últimos 23 anos, Andrade trabalha em Moçambique, onde atuou por dez anos como agrônoma regional de mandioca e batata-doce para a Rede de Investigação de Culturas de Raiz da África Austral, um programa gerido conjuntamente pelo International Institute of Tropical Agriculture (IITA) e pelo International Potato Center (CIP). [4]

De 2002 a 2006 coordenou um projeto de cinco anos no IITA sobre Multiplicação e Distribuição Acelerada das Estruturas Vegetais Saudáveis das Melhores Variedades de Alto Rendimento de Mandioca e Batata-doce. Mais de um milhão de agricultores receberam estruturas vegetais melhoradas no âmbito deste projeto em 98 dos 141 distritos do país e o projeto de Maria contou com a colaboração de 124 parceiros para alcançar este objetivo desafiador.[4]

Em 2006, juntou-se ao CIP para gerir a Plataforma de Apoio à Batata-Doce da África Austral SASHA, reunindo pesquisadores ‘breeders’ de batata-doce do Malawi, Zâmbia, África do Sul, Madagáscar, Moçambique e Angola, para investigação do desenvolvimento de variedades de batata-doce tolerantes à seca. Ela lançou 30 variedades de batata-doce biofortificadas, das quais 20 são tolerantes à seca. O governo moçambicano reconhece a batata-doce biofortificada como uma cultura de segurança alimentar e nutricional. Estas variedades tolerantes à seca alcançaram mais de meio milhão de agricultores e os agricultores adotaram-nas e obtiveram lucro vendendo as raízes e as mudas (lianas). Maria é altamente qualificada para a formação de outros pesquisadores ‘breeders’, fortalecendo a partilha de conhecimentos e a construção de plataformas de comunicação. Estes esforços contribuem para aumentar a visibilidade e o impacto da batata-doce na África Subsaariana através da redução da deficiência de vitamina A , além de melhorar os mercados e a produção agrícola. [4]

Atua como consultora científica do CIP com o governo de Moçambique, coordenando com o Líder Regional suporte e esclarecimento de solicitações específicas de funcionários e entidades do governo. Maria Isabel também atua em estreita colaboração com outros cientistas do Conselho de Pesquisa Agrícola Internacional (CGIAR em inglês) na região para capitalizar as potenciais sinergias a serem obtidas com o planejamento conjunto. Na Plataforma de Inovação da Agricultura e Transferência de Tecnologia em Moçambique ela representa todos os representantes do CGIARs desta plataforma. Ela também faz parte do conselho de administração da Aliança para a Revolução Verde em África. [4]

Posteriormente, Andrade liderou um projeto em Moçambique que distribuiu batata-doce de 2002 a 2006. Em 2006, ela começou a trabalhar para o International Potato Center como gerente de criação de batata-doce na África Austral.[5] Fora do seu trabalho no Centro Internacional da Batata, Andrade foi a vice-presidente de captação de recursos da Sociedade Internacional de Cultivos de Raízes Tropicais de 2012 a 2016.[3]

Prémios e honras

Em 2013, Andrade foi nomeada campeã de nutrição pela Transform Nutrition.[6] Ela também foi co-vencedora do Prémio Mundial da Alimentação de 2016[1][7] e a única vencedora do Prémio MS Swaminathan de Proteção Ambiental de 2017.[8]

Referências

  1. «2016 – Andrade, Mwanga, Low and Bouis». World Food Prize (em inglês). Arquivado do original em 6 de outubro de 2016
  2. «World Food Prize Laureate Maria Andrade talks about her passion for sweetpotato breeding». Sweet Potato Knowledge (em inglês)
  3. «ISTRC past Councillors». International Society for Tropical Root Crops (em inglês)
  4. EPIC. «Maria Andrade». Food Forever (em inglês). Consultado em 25 de março de 2024
  5. «Dr. Maria Isabel Andrade». AGRA (em inglês)
  6. «Dr. Maria Andrade – Mozambique». Transform Nutrition (em inglês)
  7. Communications, University Relations- (29 de junho de 2016). «UA Alumna Maria Andrade Receives 2016 World Food Prize» (em inglês)
  8. Vankipuram, Meera (8 de agosto de 2017). «Agri-scientist Maria Andrade receives M S Swaminathan award» (em inglês). Times of India
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